O ataque público do vice-governador Ronaldo Lessa (PDT) contra Renan Filho (MDB), ao rotulá-lo como um político de centro-direita, não é um episódio isolado nem fruto de improviso. Trata-se da explosão tardia de feridas políticas profundas, abertas há anos e jamais cicatrizadas, resultado de um histórico de imposições, vetos e bloqueios promovidos pelo emedebista contra aliados que ousaram reivindicar protagonismo.
Lessa nunca escondeu, nos bastidores, o incômodo com a forma como teve suas ambições políticas sistematicamente abortadas por Renan Filho. O método sempre foi o mesmo, com concentração absoluta de poder, decisões unilaterais e a redução de parceiros a peças utilitárias, descartáveis conforme a conveniência eleitoral. A declaração atual apenas rompe o pacto de silêncio que sustentava uma aliança artificial.
Ao verbalizar o que antes era dito apenas em reservado, Lessa escancara que a relação nunca foi de confiança, mas de submissão forçada. As feridas não só permaneceram abertas como foram sendo aprofundadas ao longo do tempo, alimentadas pela exclusão deliberada de espaços de decisão e pela tentativa recorrente de enquadramento político.
Com o movimento, Lessa sinaliza que não aceitará novamente o papel decorativo de vice em uma eventual chapa liderada por Renan Filho e exige protagonismo nas eleições, assumindo candidatura ao Senado com apoio do MDB.