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O possível retorno de Davi Maia à Assembleia Legislativa de Alagoas expõe, por contraste, o momento raso vivido pela atual legislatura. A Casa de Tavares Bastos, que já foi palco de embates duros e discussões relevantes para o Estado, hoje opera em ritmo burocrático, com pouca disposição para confronto de ideias e quase nenhuma ousadia política.
O plenário tem assistido a sessões previsíveis, discursos frios e uma pauta dominada por concessões de títulos e homenagens. Enquanto isso, temas estruturantes, como fiscalização de contratos, cobrança por resultados e avaliação séria de políticas públicas, ficam em segundo plano.
É nesse cenário que cresce a percepção de um Parlamento com deputados “catengas”, que apenas balançam a cabeça e acompanham a maioria sem questionar. A expressão, repetida fora do microfone, traduz o sentimento de que o contraditório virou exceção.
Davi Maia, goste-se ou não do estilo, sempre foi associado a intervenções firmes, questionamentos técnicos e enfrentamento direto ao Executivo. Sua presença tende a alterar a dinâmica de um ambiente que hoje parece confortável demais com o consenso automático.
Se confirmado o retorno, a expectativa é de que o plenário volte a ter debate de verdade, contraditório e cobrança pública. Porque Assembleia Legislativa que se limita a aplaudir e homenagear abre mão da sua principal razão de existir, que é fiscalizar, propor e tensionar quando for necessário.